quinta-feira, 10 de março de 2011

tarde judaica com a Livros Cotovia


Este Sábado a livros Cotovia promove uma tarde dedicada à colecção judaica, com a leitura de trechos de livros de Paul Celan, Iosif Brodskii, Adrienne Rich e Moacyr Scliar por Andresa Soares, Diogo Dória e Cláudio da Silva.

Pelo meio, experimentam-se petiscos da cozinha judaica enquanto se espreitam livros manuseados, novos, esgotados, ou edições raras da Cotovia.

Clube Ferroviário, entre as 12h e as 18h!

domingo, 6 de março de 2011

elogio da leitura

A revista Ler celebra este mês a saída para as bancas do número 100. Um número especial, desde já por ser sinal de continuidade de um projecto que só veio enriquecer o panorama literário português, mas acima de tudo, pela grande entrevista com que presenteou os seus leitores.
Geroge Steiner, um dos maiores pensadores da actualidade, mestre da língua e da literatura, fala justamente do poder da linguagem e dos grande movimentos literários da actualidade, das exigências da leitura, do ensino universitário, dos novos modelos de nacionalidade. E da sua descoberta da literatura portuguesa.
Os quatro leitores que acompanham este blog (vá, talvez sejam cinco), sabem o que penso de Lobo Antunes, embora me escuse a comentários acerca do Nobel. Foi pois com enorme satisfação, que assisti ao elogio de um gigante a outro gigante.
E depois, a sabedoria de quem vive sem pressa. Li e reli a passagem em que falava das condições para ler, ler seriamente: silêncio, aprender de cor e privacidade. Detenho-me numa: "saber, saborear de cor, com o coração, não com a cabeça. (...) Eu sou muito velho, mas tento, todos os dias, ou quase todos, aprender um poema, ou fragmentos de um poema, de cor, porque é assim que se agradece uma bela obra. (...) A partir do momento em que sabemos um poema de cor, algumas poucas linhas, ele começa a viver dentro de nós."

Fecho os olhos, e murmuro sucessivas vezes

Estamos como sons, peixes
repercutidos. O homem rói dentro do homem,
criam-se
olhos que vêem na obscuridade.
Deitamos flor pelo lado de dentro.


Helberto Helder
Ou o poema contínuo
súmula
Assírio & Alvim

quarta-feira, 2 de março de 2011

Tóquio, cidade do simulacro



João Paulo Cuenca e Rui Zink, realistas da imaginação alucinada, como os descreveu Inês Pedrosa, estiveram na Casa Fernando Pessoa a falar dos seus mais recentes livros, mas a conversa acabaria por derivar numa viagem ao Japão e à cultura alucinada e delirante de um país onde inevitavelmente nos sentimos estrangeiros.

Para entrar na viagem, dirija-se a uma livraria, biblioteca, alfarrabista, estante de um familiar ou amigo e procure O Único Final Feliz para uma História de Amor é um Acidente (Caminho) de João Paulo Cuenca e Rei (Asa), de António Jorge Gonçalves e Rui Zink.

Entretanto, uma boa notícia: a Casa Fernando Pessoa vai lançar brevemente um curso de literatura brasileira com Amilcar Bettega. Os interessados que fiquem atentos!

lançamentos

Um por dia, até sexta-feira.

2 de Março
Desobediência. Poemas Escolhidos (Dom Quixote), Eduardo Pitta
Apresentação de valter hugo mãe
Livraria Leya na Barata (Av. Roma) 19h.

3 de Março
Cadernos Blaufuks I e II (Tinta da China), Daniel Blaufuks
Apresentação de Gonçalo M. Tavares
Pó dos Livros, 19h

4 de Março
Onde a Vida se Perde (Quetzal), Paulo Ferreira
Apresentação de valter hugo mãe
Cinema S. Jorge, 22h

terça-feira, 1 de março de 2011

Updike Redux

I basically read for escape from my own world into other worlds. And I was attracted to people who wrote funny books, books that made me laugh. James Thurber was a childhood idol. Robert Benchley, various New York and New Yorker writers. (...) But Shakespeare, of course, was an especially great revelation. And out of college I discovered Proust for myself. (...) J.D. Salinger was a new writer when I got out, by the time I was out of college. And I read him with great interest because he seemed to me to be really opening new territory or to be seeing America in a new way. And of course Nabokov was also a revelation in what… What a writer, I guess, what a young writer is looking for are new ways to write, or a fresh way to write, and Salinger, Nabokov, Proust, and Henry Greene are the ones who woke me up most vividly.
Retirado da entrevista de Lila Azam Zanganeh, 2006, publicada em Novembro de 2010.

O prazer que dá ler bons escritores quando bem entrevistados. O alerta para esta publicação póstuma veio daqui.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

actualizando leituras

Esta semana o reader acumulou novas entradas a um ritmo impressionante. Os blogs que sigo regularmente transferiram a emissão para a Póvoa do Varzim e sucederam-se as noticias de encontros, leituras, prémios, naquela que é já tida como a maior festa dos livros em território nacional.

Da semana das Correntes destaco
- A atribuição do prémio literário Casino da Póvoa a Pedro Tamen com O Livro do Sapateiro - para ler aqui e ficar a par de uma boa notícia aqui
- A distinção da Ahab Edições com o Prémio Especial Editora Revelação, “pela selecção criteriosa de títulos associada à extraordinária qualidade editorial e gráfica de tudo o que publica” (via Jornal Público). Não poderia estar mais de acordo com a escolha.
- O acompanhamento bem humorado de Ricardo Duarte do dia-a-dia nas Correntes em A volta do parafuso - minuto a minuto, as notícias e fotografias sucediam-se; nalguns casos foi bom associar nomes que já nos eram familiares a rostos que até aqui desconhecíamos;
- Os inúmeros lançamentos de livros, a fazer crer que a edição em Portugal está de boa saúde, apesar das ameaças de uma crise que teima em não sair do centro da actualidade.

Um destaque menos positivo para a crítica de Rui Lagartinho ao romance de estreia (ou quase) de Paulo Ferreira, Onde a Vida se Perde. Não me revejo neste tipo de crítica destrutiva e em alturas como esta gosto de revisitar Eduardo Lourenço e reaprender com ele: "O acto crítico autêntico é um contínuo acto de amor (...) e não um exercício de suspeição fundado sobre o «não-ser» da Obra" (Tempo e Poesia, Gradiva)

há umas horas atrás, no livros no bolso



Li na versão original, mas por cá duas editoras lançaram-se à tarefa de publicar, entre nós, uma das mais controversas obras da literatura americana.

- Uma Agulha no palheiro, Livros do Brasil
- À espera no centeio, Difel

Recentemente ofereci este livro à minha "sobrinha" adolescente (entre aspas, porque aqui a afinidade conta mais do que o grau de parentesco), mas recomendo a qualquer adulto.

As emoções subtis e complexas de um jovem confuso e inseguro, numa pérola literária que transpõe para a escrita a oralidade, espontaneidade e um registo humorístico que, não fosse Twain, dificilmente encontraria par na mais recente história da literatura americana.

Podcast brevemente disponível.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

cinema em papel por 1$50



Eram assim as revistas da Colecção Cinema da Agência Portuguesa de Revistas. Uma amiga encontrou num alfarrabista o nº 2, que agora habita cá em casa. Na contracapa o preço. Continente: 1$50; Ultramar: 2$00

domingo, 20 de fevereiro de 2011

daqui a pouco, no livros no bolso

breve passagem pela actualidade do sector, com destaque para o acontecimento literário que marcará a semana - a 12ª edição do Correntes d'escritas.

desta vez pouco depois das 18h, em 92.8FM.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

marketing do livro

teria tido mais piada se se tratasse do lançamento da biografia de Berlusconi, mas pronto, não se pode ter tudo.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011



Há 50 anos atrás, o retrato de J.D.Salinger impunha-se numa das muitas capas da Time. Na edição desta semana, o mesmo retrato volta a surgir nas páginas da revista, desta vez a propósito da publicação da biografia J.D.Salinger: A life, da autoria de Keneth Slawenski.

O livro jamais teria sido aprovado por quem uma vez disse, do simples acto de publicar, ter sido “uma invasão terrível da minha privacidade”. De resto, parece que a biografia pouco vem acrescentar ao que já de si pouco se sabia a respeito do escritor, não fosse ele – talvez precedido apenas por Thomas Pynchon – uma das mais incógnitas personalidades literárias.